DevLife · 22/09/2026 · 5 min
Um ano depois: o que mudou no meu estilo de programação (e a tirinha que resume)
Há um ano eu publiquei Meu estilo de programação: PDF antes do código, PSR-12, Swagger, Jira, commits pequenos. Aquilo ainda vale. O que mudou não foi o manifesto, foi com quem e como eu construo.
Em 2025 eu escrevia sozinho e documentava para o Tiago do futuro. Em 2026 eu ainda escrevo sozinho… mas com um parceiro que digita rápido, não tem ego e estrela se o briefing for vago: a IA. E aí a tirinha acima deixa de ser só humor de escritório.
Contents
- O que ficou de 2025
- O que mudou de verdade
- Documentação viva (não só PDF)
- IA sem virar o júnior da tirinha
- Produto antes de “clever”
- Tiago’s Code Style 2026
- FAQ
- Conclusion
O que ficou de 2025
Não joguei fora o que funcionava:
- 📚 Pensar antes de abrir o terminal.
- 🧠 PHP limpo (PSR-12), nomes em inglês, camelCase.
- 🛡️ API e contratos claros quando o projeto pede.
- 📋 Rastreabilidade (Jira ou equivalente).
- 🌿 Git com commits pequenos e branches com intenção.
O artigo de 2025 era um antídoto para o “código perfeito” da tirinha: aquele que só o autor entende, cheio de aviso vermelho e zero empatia pelo próximo. Isso continua sendo o inimigo.
O que mudou de verdade
| 2025 | 2026 |
|---|---|
| PDF único no início | Docs vivos no repo (.docs/, .planning/, CONTEXT/PLAN) |
| Figma + ERD e depois código | Mesmo, + UI-SPEC e decisões travadas por fase |
| Eu + editor | Eu + Cursor/IA com regras e escopo explícitos |
| CSS modular / Bootstrap / Vuetify | Tailwind 4, tokens, mobile-first de verdade |
| “Funciona na minha máquina” | Print, WP-CLI, health check, prova no ar |
| Arquitetura bonita no slides | Restrições de produto (cota, cron, SEO, ads) |
Documentação viva (não só PDF)
O PDF ainda serve para alinhar cliente. No dia a dia, o que salva o projeto é documentação versionada, perto do código:
- 📝 Visão, restrições e stack no mesmo repositório.
- 🗺️ Fases com objetivo, plano e verificação, não só board no Jira.
- 🔎 Pesquisa antes de inventar (docs oficiais, contratos de API).
- 🧾 Runbooks do que já quebrou (cota de API, cron, cutover).
Quando a documentação vive no Git, o “eu do futuro” e a IA leem a mesma verdade. Menos “obra-prima da lógica” escondida na cabeça de alguém.
IA sem virar o júnior da tirinha
A tirinha é o anti-padrão do sênior que joga código ilegível no colo do júnior e some. Com IA o risco é o inverso e o mesmo: você vira o sênior arrogante se mandar “faz aí” sem contexto, e a ferramenta vira o júnior chorando no teclado.
O que eu aprendi a fazer:
- 🎯 Escopo fechado: o quê, por quê, o que não fazer.
- 📐 Padrões no projeto (idioma, nomenclatura, stack) como regra, não como preferência.
- 🧪 Aceitar só com prova: tela no ar, print, endpoint, data certa.
- 🧹 Revisar como sênior de time, não como fã do autocomplete.
Na prática: eu leio tudo que a IA gera, de cabo a rabo. Diff, arquivo, fluxo, edge case. Se estiver errado, torto ou “quase certo”, eu não negoceio com o autocomplete: abro o editor e codifico na mão, no modo raiz, até ficar do jeito que eu assumo em produção.
IA acelera quem já sabe o destino e quem ainda manda no teclado. Sem destino (e sem revisão), ela só produz o inferno mais rápido.
Produto antes de “clever”
O que mudou no estilo não foi “aprendi a fazer portal” ou “integrei uma API”. Foi parar de tratar projeto como demo de stack e passar a tratar como produto com restrição real: cliente, prazo, hospedagem, dinheiro, operação do dia seguinte.
Isso vale em site de casamento com lista em cotas, migração HTML→WordPress, tema full stack, CRM, automação com Python, integração pesada, portfólio, o que for. A pergunta deixou de ser “qual arquitetura fica bonita no slide?” e passou a ser:
- 🎯 Resolve o problema de quem paga / quem usa?
- 📱 Aguenta o jeito real de uso (quase sempre mobile)?
- 🧱 Sobrevive ao próximo dev (ou a mim daqui a seis meses)?
- 💸 Respeita limite de API, servidor, ads, SEO e go-live?
- 🚫 Evita cleverness que impressiona no PR e quebra na sexta à noite?
Código clever que ignora o negócio não é estilo. É dívida. Entrega de verdade é a que o cliente opera sem me ligar em pânico.
Tiago’s Code Style 2026
- 📚 Documentação inicial e docs vivos no repo.
- 🧠 Código PSR-12 / SOLID, legível para humano e para IA.
- 🐫 Inglês + camelCase (PHP/JS) sem drama.
- 🛡️ Contratos claros (API, REST, schema) quando o dado importa.
- 🏛️ Banco e domínio com integridade, sem gambiarra de prazo.
- 🎨 Front modular: tokens, Tailwind 4, mobile-first.
- 📋 Gestão com rastreio (Jira e/ou planos no Git).
- 🤖 IA com briefing, revisão de cabo a rabo e correção na mão quando falha.
- 🧪 Entrega com evidência: print, deploy, URL no ar.
- 🌿 Git pequeno, mensagem clara, branch com intenção.
“Código não é só para rodar. Código é para o próximo, humano ou agente, continuar sem surtar.”
FAQ
O artigo de 2025 ficou obsoleto?
Não. Ele é a base. Este é o patch de um ano: mesmas boas práticas, mais processo, mais produto, mais parceria com IA.
Você abandonou o Figma / Swagger / Jira?
Não. Use o que o projeto pede. O que mudou é não depender de um PDF solto nem de board sem decisão escrita perto do código.
IA substitui o estilo de programação?
Substitui digitação. Não substitui critério. Sem estilo, a tirinha vira o seu dia a dia, só que em loop infinito.
Conclusion
De 2025 para 2026 meu estilo não ficou mais “esperto”. Ficou mais hospitaleiro: para o colega, para o cliente, para o eu do futuro e para a IA que só funciona bem quando o sênior não é o vilão da tirinha.
Artigo de 2025: Meu estilo de programação. E você, o que mudou no seu jeito de construir software neste último ano?
Tiago Luvizoto Neves
Desenvolvedor Full Stack, escrevendo sobre código, UX e web desde 2004 Full Stack Developer, writing about code, UX and the web since 2004